quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CAMPECHE URGENTE!!!


E vem mais uma bomba!!!
Foram dezenas as denúncias!!!
Derrubaram o Bar do Seu Chico sob alegação do mesmo encontrar-se em área protegida... Muito bem, o empreendimento "Essence" iniciou a construção de uma passarela até a praia e, pelo que foi apurado, iriam construir um deck, lá também!
Por que será que tiraram o bar do seu Chico de lá?
Coincidência?
Construção da passarela e deck planejados para o local onde ficava o bar do Seu Chico e nas dunas, respectivamente!
Após denúncias e protestos, o material foi todo retirado do local!
ANTENA EM ESTADO DE ALERTA!!!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A MANIPULAÇÃO, SEGUNDO CHOMSKY


A MANIPULAÇÃO, SEGUNDO CHOMSKY

O lingüista estadunidense Noam Chomsky, que se define politicamente como companheiro de viagem” da tradição anarquista, é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade. Entre outros estudos, ele elaborou excelentes livros e textos sobre o papel dos meios de comunicação no sistema capitalista. É dele a clássica frase de que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário”. No didático artigo abaixo, Chomsky lista as “10 estratégias de manipulação” das elites governantes. Vale a penar ler e reler:

1- A estratégica da distração.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

2- Crias problemas, depois oferecer soluções.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o  retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da degradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, é suficiente aplicar progressivamente, em “degradado”, sobre uma duração de 10 anos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas têm sido impostas durante os anos de 1980 a 1990. Desemprego em massa, precariedade, flexibilidade, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haviam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de forma brusca.

4- A estratégica do deferido.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública no momento para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, por que o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, por que o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que?

“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, uma resposta ou reação também desprovida de um sentido critico como a de uma pessoa de 12 anos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

8- Promover ao público a ser complacente na mediocridade.

Promover ao público a achar “cool” pelo fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- Reforçar a revolta pela culpabilidade.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E sem ação, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

sábado, 8 de janeiro de 2011


PRATO DO DIA

Entrada: O sistema capitalista eco-rapinador

Prato quente: A elite burguesa e sua governança mundial

Acompanhamentos: aguçar a análise crítica, fortalecer a atitude emancipatória e a rebeldia prática

Cachacinha: Fazer troça do estilo de vida burguês, denunciar boçais, patifes de todo tipo e estirpe, eco-rapinadores bípedes, mamíferos, com dedo polegar e indicador em forma de pinça que perambulam no planeta com o único propósito de destruí-lo (com esmero) quando em vida.

Sobremesa: denunciar certos políticos que tratam a todos como debilóides, infantilóides, babacas, os quais, a despeito de todas as advertências, votam naqueles que assim os tratam. Círculo vicioso em modo “perpetuo-mobile”, perfeito para perpetuar o sistema capitalista.

Minha curiosidade investigativa sobre essa quase perfeita “matriz de dominação” pretende aguçar a análise crítica, fortalecer a atitude emancipatória e a rebeldia prática em cada pessoa que transita por este espaço. Não é tarefa fácil, virtualmente inalcançável.
Como ecologista de carteirinha há 37 anos dentre os 55 de idade, posso me dar ao luxo de exagerar volta e meia, apresentar alguma hipérbole googleiforme, trazer alguma piadinha, especialmente em se tratando dos “políticos profissionais”, categoria corporativa auto-alçada à beneficiária vitalícia do INSS, e fazer desse espaço um libelo de denúncia constante e perspicaz ao “desenvolvimento sustentável”, avatar capitalista sobre o qual se assenta o modelo de produção global.
Em seu lugar, difundir e aprimorar o “desenvolvimento ecologicamente orientado”, conceito fundante de um novo modelo de desenvolvimento, valores comportamentais e estilo de vida que o Planeta possa suportar permanentemente. Hoje é tudo o contrário disso em marcha acelerada.
E fazer isso, incomoda muita gente, pois a verdade sempre parece doer. Com diz aquele ditado popular: a pessoa fica mais furiosa com o sujeito que lhe denunciou a traição do(a) amante, do que com ele(a) que traiu.
Essa “condição humana” também se faz sentir na eco-política, pois terreno viscoso que não está imune às maneirices da política tradicional, ao mesmo tempo que procura manter-se firme no terreno ético que se assenta no conhecimento científico e histórico da evolução da vida e da sociedade. O desafio está em “não cair em tentação” às iscas lançadas pelo sistema de dominação burguês, incansável no aliciamento, na cooptação, na sedução ao poder, ao dinheiro, ao glamour, à fama...
Também publicarei artigos assinados que venham a somar na discussão e denúncia contra o sistema predador capitalista e que estejam afinados com o pensamento ecológico para sua superação. Fiquem à vontade.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Cuidado com aquele que tem a língua doce e uma espada na cintura. Um inimigo declarado é perigoso, mas um falso amigo é pior."


'O presidente esteve a ponto de se tornar um autoritário'- ESP- 31 de dezembro de 2010 | 23h 11




Chico Oliveira, sociólogo aposentado da USP
Qual leitura o sr. faz dos oito anos do presidente Lula?
O balanço geral é mediano. Essa história de "nunca antes neste país" 
é conversa fiada. O Brasil foi a segunda economia mundial a crescer 
sustentadamente durante um século. Mas foi um crescimento 
feito sem nenhuma distribuição de renda. A gestão do presidente
 Lula não diminuiu desigualdade nenhuma, isso é lenda criada 
a partir de muita propaganda. O que houve foi uma transferência
 de renda a partir do governo para os estratos mais pobres. 
Distribuição ocorre quando existe a mudança da renda de uma classe
 social para outra. Nesse sentido, não houve nenhum avanço.
O sr. concorda com os que afirmam que Lula é um mito?
Sim, e como acontece em todos os casos o mito é maior do que
 a realidade. Ele construiu um mito poderoso devido a vários 
fatores, entre os quais, conta o muito o fato de ele ser de 
origem pobre. Até hoje o presidente é considerado um operário,
 mas não pega em uma ferramenta há 50 anos. Isso o ajuda a
 fomentar uma figura.
E o Bolsa-Família?
Nós fomos educados na ética cristã, que nos impede de sermos
indiferentes à fome. Então, ninguém pode ser contra. Agora, 
politicamente, o programa diz que o crescimento econômico 
continua sendo excludente, que é preciso algo por fora do salário
para dar condições de vida às pessoas. Outro fator grave é que
ele é uma regressão, uma volta à política personalista, baseada
no favor, algo ruim da tradição brasileira.
André Singer, cientista político e ex-assessor de Lula na 
Presidência, compara os anos Lula aos de Roosevelt
(presidente dos EUA entre 1933 e 1945 e recuperou a 
economia daquele país). O senhor concorda?
Respeito muito o André como intelectual. Ele elevou o nível de 
debate no PT. Mas acho que há um equívoco da parte dele. Lula
 não pegou o País em uma grave crise. Os anos do ex-
presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não foram
gloriosos, mas não foram de quebradeira, de jeito nenhum. Roosevelt
pegou os EUA no fundo da crise. Além disso, o André se esquece
de que Roosevelt acabou com o trabalhismo americano. Entre as 
grandes democracias do mundo, a única na qual os trabalhadores
 não têm um partido é a dos EUA.
O sr. vê traços autocráticos no presidente Lula?
Montado nessa popularidade, ele exagerou. O presidente esteve
à beira de se tornar autoritário. Foi além dos limites. Só duas
pessoas no século 20 disseram, como ele, que eram a encarnação
do povo: Adolf Hitler e Joseph Stalin.
Lula e o PT chegaram ao Planalto fazendo um discurso forte 
contra a corrupção. O sr. se decepcionou nesse quesito?
O poder absoluto corrompe muito. O presidente do Brasil pode 
nomear muitos cargos. Não há partido que resista a uma coisa 
dessas. O PT se perdeu no poder, ficou menor do que o
presidente e não consegue impor seu programa. Lula e o PT 
tem um estilo predatório de administrar o Estado e lidar com as 
finanças públicas.
Lula foi melhor do que Fernando Henrique Cardoso?
Fui muito amigo do Fernando Henrique durante 12 anos e nos 
afastamos quando ele virou presidente. Fui revê-lo depois que ele 
deixou Brasília. Sei quem ele é e já fiz essa comparação. Fernando 
Henrique fez muito mal ao Estado com as privatizações. Ele, 
com isso, quebrou a capacidade de o Estado regular a 
economia, quebrou alguns instrumentos construídos com o sacrifício
do povo para que o Estado pudesse intervir na economia. 
Mas tentou avançar institucionalmente, e essa é a grande diferença
entre eles. O Lula não tem uma criação institucional. A República 
não avançou um milímetro com Lula. O que é celebrado na 
gestão Lula não se transformou em regra. Getúlio Vargas (ditador e 
presidente do Brasil de 1930 a 1945 e presidente de 1951 a 1954), 
quando criou as leis trabalhistas, obrigou as empresas a seguirem
as regras da nova legalidade, que significavam uma nova 
hegemonia. A sociedade caminha pela luta de classes dentro dos 
caminhos que a hegemonia cria. Não ocorreu isso com Lula.
Mas e o aumento do salário mínimo não é um avanço?
Não, é um processo da economia, nada está garantido. Se amanhã
a economia der para trás, o salário mínimo que se dane, não é
um avanço. O salário mínimo do Juscelino Kubitschek (presidente 
entre 1956 e 1961) chegou, em valores de hoje, a R$ 1.500, e caiu 
porque as forças do trabalho não tiveram capacidade de sustentá-lo
 e porque logo depois viriam os governos militares. Avanços são
direitos. Para ficar na história como um estadista, não apenas
como um presidente popular, Lula deveria ter transformado, por 
exemplo, o Bolsa-Família em legislação constitucional. Não fez
 reformas. O Lula não é um estadista, de jeito nenhum. Ele não 
é aquele que constrói instituições que significam uma nova hegemonia.
O sr. estava entre os fundadores do PT... *
Isso de fundador não faz muita diferença. Muita gente estava na fundação
do partido (no colégio Sion, em São Paulo, em 1980) e depois nunca 
mais apareceu. O que interessa é a militância, e eu fui militante.
Como o sr. acha que a era Lula ficará para a História?
Se os historiadores tiverem juízo, ele será lido como o presidente mais
privatizante da história. Ele não é estatizante, isso é falso, uma lenda
que a imprensa inventou e que ele usa como arma. Ele é
privatizante no sentido de estar criando regras para que poucos
grupos controlem a economia brasileira, usando o BNDES 
(Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para isso.
Com Lula, nós estamos entrando naquilo que a teoria marxista chamava
de capitalismo monopolista de estado, do qual não há volta. Todas as
vezes que essas forças crescem, as dos trabalhadores diminuem. É 
esse país que ele vai legar para a Dilma.
Diante da alta popularidade de Lula, o sr. se arrepende de ter saído 
do PT? **
De jeito nenhum. Esse negócio de popularidade é como maré, vai e volta.
QUEM É
Chico de Oliveira é professor aposentado de sociologia da Universidade 
de São Paulo, da qual recebeu o título de professor emérito, e foi um dos
fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Entre seus
livros, destaca-se Crítica à Razão Dualista.

 Nota do blogger:
*: Gert Schinke também esteve no Colégio Sion em 1980, como
delegado do Movimento Pró-PT do RS, e continua militante até 
hoje em vários movimentos sociais. Saiu do PT em 1991 e atualmente
é filiado ao PSOL.
**: Gert Schinke jamais se “arrependeu” de ter saído do PT, sendo 
que após sua desfiliação àquele partido, houve intensa campanha
de difamação sobre sua pessoa em Porto Alegre e região, com 
a produção de dossiê, culminando com perseguição 
política até bem recentemente por via de sua demissão do
BESC em 2005, patrocinada pelos dirigentes locais do PT
em retaliação à sua resistência em corroborar projetos
sociais duvidosos à entidades ligadas ao partido em SC.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

POLÍTICA- O APARATCHIK* E O MILITANTE**





A primeira vista parece uma comparação simplória, porque extrema, porque limitada. Mas ela tem 
justo o intuito de refletir sobre um possível equilíbrio entre simbolismos extremos, arranjo que nos 
possibilita amalgamar a teoria e a práxis, combinação tão propalada no menu teórico marxista. 


Fico   perplexo   com   o   volume   de   teorias   bizantinas   que   emanam   a   cada   momento   posterior   ao 
primeiro   turno   para   dar   conta   de   posições   ideológicas   emaranhadas   por   táticas   e   estratégias 
políticas   que   muitas   vezes    se  assemelham      a  receitas   insossas   e  emboloradas     pelo   tempo, 
ineficazes para aguçar o paladar da nossa refeição diária: praticar política enquanto socialistas 
psolistas que somos. É uma tarefa pesada por esses dias. 


Em tempos em que vivemos uma forte maré conservadora varrendo o mundo, especialmente no 
Brasil dos últimos anos da era Lula, como explicar essa situação, tendo no comando do governo 
um partido que propalava profunda transformação, justiça e igualdade social? Junte-se a isso, o 
desconforto, maior ou menor, dependendo de cada qual, quanto à cumplicidade na construção e 
fortalecimento do PT ao longo da sua história, situação da qual somente a juventude (bem mais 
jovem)    que   aderiu   ao   PSOL    depois    do  seu   surgimento    ou   advinda    de  outros   partidos   de 
esquerda, escapa. 


Mea culpa, fundei e construí o PT ao longo de redondos dez anos – o bastante para me afastar 
dele aos dez anos de vida. Certo dia presenciei um diálogo inesquecível na sede municipal do 
partido em Porto Alegre, véspera do segundo turno Lula X Collor, novembro de 1989, portanto: 


“Fulano (mui companheiro): Que embaixada você reivindicará? 


Sicrano (mui companheiro): Paris, é claro, kkkkkkk (empinando o nariz) 


Outro sicrano (mui companheiro): Sou mais Londres, faz mais meu estilo. 


Outro sicrano (também mui companheiro): Quero ir para Buenos Aires, pois lá tem muita 
parrijada e lindas noitadas de tango.” 


Fecha a cortina. 


Embora      meio   ressabiado    com    o  diálogo   que   havia  escutado    vindo   desses    “altos  dirigentes 
partidários”, empenhei-me de corpo e alma na campanha Lulalá em 89, mas os sinais que eles 
despertaram na minha pobre alma, foram suficientes para confirmar que logo depois, o apego aos 
cargos   e   as   benesses   da   estrutura   burguesa,   seriam  fatais   para   atrair   um  sem    número   de 
espertos militantes às cadeiras comissionadas na Assembléia Legislativa, na Câmara Municipal e 
na Prefeitura de Porto Alegre. 


Os tais “espertos”, não por acaso seriam os aparatchiks partidários, porta-vozes carimbados das 
tendências internas e elocubradores de intermináveis textos teóricos distribuídos então a mano 
militari  entre   a  militância  na   forma   de  impressionantes      calhamaços     de   papel.  Parecia    uma 
competição de quanto maior, melhor. Poucos eram lidos, é claro, e, via de regra, muito menos 
entendidos   pela   grande   maioria,   aspecto   que   parecia  pouco   importar,   pois   eram   feitos   mesmo 
para impressionar o militante raso, aquele “de base”. Faziam o estilo “cabeça revolucionária” tão 
presente na época, prolixa em texto, pobre em práxis. 

A U D I Ê N C I A N Ã O É A N U Ê N C I A !

       
                                                                       


Florianópolis, fevereiro de 2010  
  


Há muito se fala sobre a forma como as Audiências P  blicas em geral são mal conduzidas, não geram ganhos qualitativos e perderam sua importância no debate. Depois da Constituição de 88, dispositivos garantem a livre opinião  e  a  transparência  na  condução  da  coisa  pública,  razões  maiores  para  a  existência  de  todas  as Audiências  Públicas. Acontece  que,  jamais  houve  um  dispositivo  legal  que estabelecesse  um  roteiro  básico obrigatório, que indicasse como deveria acontecer início, meio e fim desse importante momento da nossa vida  democrática depois dos anos de ditadura militar, época em que reunião de três pessoas era subversão.  
  


Praticamente  em  todas  as  áreas  da  gestão  pública  acontecem  Audiências,  e  assim  como  começaram  a proliferar, também começaram a evidenciar suas deficiências, mas acima de tudo, suas deformidades à luz de  
uma  padronização,  resultado  da  ausência  de  uma  mínima  normatização  formal.  Assim,  praticamente  cada órgão público de licenciamento ambiental, por exemplo, estabelece a “sua forma” de fazer suas APs, aplicando  
um  “regimento  interno”  gestado  normalmente  em  seus  departamentos  jurídicos.  O  método  deve  atender, porém, aos acordos políticos estabelecidos entre seus maiores dirigentes e as forças políticas e econômicas  
que os sustentam nos cargos. Em suma, os acordos políticos “estabelecem” as regras do jogo nas APs.  
  


É voz corrente nos movimentos sociais que as APs se transformaram, na maioria das vezes, em verdadeiros espetáculos teatrais, mera execução de uma obrigatoriedade legal que, na prática, não acarreta riscos aos  
agentes públicos e aos projetos envolvidos, pois inócuas são para operar possíveis alterações no curso dos processos de análise para os licenciamentos de toda ordem, assim como a formulação/implantação de políticas  
públicas nas diferentes esferas do Estado. Politicamente, apenas servem para legitimar a participação popular.  
  


Na grande maioria dos casos a divulgação é pífia e ineficiente – que, em geral, se resume a um edital afixado  em algum mural no órgão que a promove. Anúncios em rádios, chamadas em televisão, nem pensar. Também, em geral não há registros fidedignos que posteriormente possam ser utilizados pelos demais interessados no  assunto: promotores públicos, entidades, justiça, e os demais órgãos públicos envolvidos. Poucas resultam em “atas”,  e  quando  existem,  são  normalmente  mal  feitas,  genéricas  e,  na  maioria  dos  casos,  omissas  em  
questões importantes, cheias de erros – até mesmo factuais, inconclusivas, entre outras características que, somadas, conotam imenso descaso para com aquilo que deveria ser um momento importante na análise dos  
processos: a opinião do povo sobre o tema em pauta. “Povo” leia-se: instituições acadêmicas e especialistas; ONGs atuantes na área; apresentação de estudos já realizados sobre o tema; o morador local; etc...  
  


Mas um aspecto que mais chama atenção nas APs de forma geral, é que seus regimentos internos, quando existem, impedem uma manifestação efetiva e autêntica por parte da sociedade: impõe todo tipo de armadilha  
regimental  para  cercear  a  palavra  à  população,  privilegiando  os  empreendedores,  os  quais,  via  de  regra,dispõe de espaço quase ilimitado para expor seus “produtos”, ao passo que às pessoas da comunidade, é dado  
um tempo exíguo, normalmente tão restrito, que sequer conseguem estabelecer um debate condizente com esse nome. Proíbe-se, entre outras coisas, o repasse de tempo de intervenção de uma pessoa para outra, o que  limita  a  exposição  de  valiosos  argumentos;  estabelece-se  tempo  limitadíssimo  de  falação  às  pessoas; proíbe-se projeção de material ilustrativo em plena era digital; inventa-se uma pausa em meio aos trabalhos para esvaziar o plenário. As imposições estabelecidas por estes “regimentos internos” acabam deformando de  
tal forma o debate que, via de regra, as discussões em pauta acabam se limitando às superficialidades – a forma de restringir uma boa compreensão por parte do público participante. É a pantomima que reina.  
  


Urge que as APs, em todas as esferas, sejam regulamentadas à luz dos atuais direitos de cidadania, impondo uma regra geral aos órgãos e instituições públicas, pois, acima de tudo, é o interesse público que está em  
questão  e  deve  ser  privilegiado,  e  não  os  interesses  privados  envolvidos  em  suas  pautas.  Além  de  exigir  
adequada divulgação do evento, e prever a possibilidade, inclusive, de continuidade da AP em outro momento,  
caso ela não esgote o assunto. Também deveria exigir o registro fidedigno das opiniões e posições externadas,para que possam ser levadas em conta pelos agentes públicos em suas análises processuais, e eventualmente  
até mesmo acolher alguma conclusão gerada na “AUDIÊNCIA”, fator que resgataria seu verdadeiro sentido.  
  


O que não pode continuar é esse “verdadeiro circo”, um faz de conta – mera “ANUÊNCIA”, a que todos nós  
somos  submetidos  todos  os  dias:  APs  de  fachada  para  cumprimento  formal  da  exigência  legal;  manifesto  
privilégio aos empreendedores envolvidos nos projetos e solene desconsideração por tudo que as comunidades  
aportam  de  conhecimento  e  posições  amadurecidas  em  seus  próprios  foros  de  discussão  autônomos  do  
Estado.  Esta,  aliás,  condição  sine  qua  non  para  que  haja  verdadeira  democracia  participativa  –  permitir  a  
explicitação (e não a supressão) dos conflitos existentes e sua melhor solução em vista o interesse público  
envolvido. Por tudo isso, fica claro que “AUDIÊNCIA NÃO É ANUÊNCIA!”.