quinta-feira, 4 de outubro de 2012

FEEC DIVULGA COMPROMISSOS DOS CANDIDATOS À PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS EM RELAÇÃO À INÉDITA ‘PLATAFORMA ECOLÓGICA’



EMENTA: A FEEC apresenta o resultado da consulta  sobre a ‘plataforma ecológica’, que consultou os candidatos à Prefeitura da capital sobre 67 itens.

A ‘plataforma’ é constituída por 67 DIRETRIZES, DEMANDAS E AÇÕES, as quais são subdivididos em 8 temas, a saber: PLANEJAMENTO URBANO – 10; ENERGIA – 2; SANEAMENTO – 9; MOBILIDADE – 14; ECONOMIA – 5; EDUCAÇÃO – 2; ÁREAS PROTEGIDAS E BIODIVERSIDADE – 16; GESTÃO – 9.

Todos os seis candidatos à Prefeitura de Florianópolis receberam ao longo do dia 25.09.12, mediante recibo aposto ao ofício da FEEC, o questionário contendo as 67 questões, assim como as regras para o retorno, que, entre outros quesitos, exigia o prazo da resposta até o dia 28.09.12, às 20h.

Dos seis candidatos na disputa, cinco responderam a consulta no prazo hábil e na forma exigida, assinalando ao lado de cada questão o seu compromisso para com a mesma, sendo que apenas uma candidata não respondeu à consulta feita pela FEEC – Ângela Albino, do PCdoB em coligação.

É a primeira vez que o procedimento é realizado pela entidade em uma campanha eleitoral, e, dado o sucesso dessa forma de consulta, a FEEC pretende inaugurar uma tradição em torno dela a partir dessa eleição. Em função da receptividade obtida junto aos candidatos, faremos nova consulta sobre essas mesmas questões aos dois candidatos que passarão para o segundo turno, caso ele venha a acontecer.

O gráfico abaixo ilustra o conjunto dos compromissos assumidos pelos candidatos em relação ao conjunto das questões da plataforma, e o arquivo anexo a esse release, contem o conjunto consolidado das questões com as respostas de cada candidato.

Gert Schinke - Coordenador Geral

FEEC – Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses
Contatos: e-mail - coordfeec@gmail.com ; 
Telefones: (48) 3324.0581, 8424-3060
















Barry Commoner e Eric J. Hobsbawm



Ambientalista Barry Commoner morre aos 95 anos


 O biólogo norte-americano Barry Commoner, considerado um dos fundadores da ecologia moderna, morreu no último domingo (30), em Nova York, aos 95 anos. Commoner nasceu no Brooklyn em 28 de maio de 1917. Graduou-se em Zoologia pela Universidade Columbia e fez mestrado e doutorado em Harvard. Após servir como tenente na Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, mudou-se para Saint Louis, onde foi professor de fisiologia vegetal na Universidade Washington por 34 anos. Em 1966, fundou o Centro de Biologia de Sistemas Naturais na universidade, para estudar “a ciência do meio ambiente total”.
“Commoner foi um líder em uma geração de cientistas-ativistas que reconheceu conseqüências danosas do boom de tecnologia pós-Segunda Guerra e foi um dos primeiros a alimentar o debate nacional sobre o direito do público de compreender os riscos e tomar decisões sobre eles”, destacou o jornal New York Times em obituário.

O trabalho de Commoner a respeito dos efeitos globais da radioatividade promovida por atividades nucleares, com destaque para o registro das concentrações de estrôncio 90 nos dentes de milhares de crianças, contribuiu grandemente para a adoção do “Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares”, assinado por mais de 100 países em 1963. A partir dali, Commoner se tornaria um dos mais conhecidos ambientalistas do mundo, autor de livros que se tornaram best-sellers, como The Closing Circle (1971) e The Poverty of Power (1976). Em 1970, ano do primeiro Dia da Terra, a revista Time colocou Commoner em sua capa, com o título Ambientalista Barry Commoner – A Emergente Ciência da Sobrevivência.
A popularidade e o engajamento em causas ambientais e sociais o levaram a concorrer à Presidência dos Estados Unidos, pelo Partido dos Cidadãos, em 1980. Commoner obteve 234 mil votos na eleição que foi vencida por Ronald Reagan.
Um dos grandes legados de Commoner foi publicado em The Closing Circle e ficou conhecido como as Quatro Leis da Ecologia: “Tudo está interligado; Tudo deve ir a algum lugar; A Natureza sabe melhor; Não há almoço de graça” (em tradução livre).
“Commoner acreditava que poluição ambiental, guerra e desigualdades raciais ou sexuais deveriam ser tratadas como assuntos relacionados a um problema central”, apontou o New York Times, que ressaltou o papel do ambientalista como crítico do capitalismo.
“Não acredito no ambientalismo como solução para coisa alguma. O que eu acredito é que o ambientalismo ilumina as coisas que precisam ser feitas de modo a resolvermos juntos nossos problemas”, disse Commoner. (Fonte: UOL)

Homenagem a ‘hobs’

Intérprete incansável do século 20

Sem teorizações intrincadas ou narcisismo autocomplacente, soube equilibrar distanciamento e engajamento crítico

ELIAS THOMÉ SALIBA - O Estado de S.Paulo – 02.10.12

"O perfil do bom historiador não pode se parecer nem com o carvalho nem com o cedro, por mais majestosos que sejam, e sim com um pássaro migratório, igualmente à vontade no ártico e no trópico - e que sobrevoa ao menos a metade do mundo." Ao escrever isso em 2002, Eric J. Hobsbawm talvez estivesse descrevendo a própria trajetória, que se encerrou na manhã de ontem, em Londres, onde o historiador morreu aos 95 anos, vítima de uma pneumonia.
Nascido em Alexandria em 1917, de família judaica - pai do East End londrino e mãe da Áustria dos Habsburgos -, passou a infância em Viena, ficou órfão aos 14 anos e foi morar em Berlim com uma tia, entrando para o Partido Comunista alemão (KPD) ainda no fim do curso ginasial. Após a ascensão de Hitler, foi para Londres onde concluiu os estudos secundários. Em 1936, na febre da Front Populaire em Paris, perambulou na carroceria de um caminhão do cinejornal do Partido Socialista; depois cruzou a fronteira para a Catalunha, logo no início da Guerra Civil espanhola.
Nos anos da 2.ª Guerra Mundial integrou a divisão do Exército britânico que cavava trincheiras, atuando ainda como tradutor no setor de inteligência militar. Quando concluiu seus estudos, pagou o aluguel escrevendo uma coluna semanal sobre jazz no New Statesman - com o pseudônimo de Francis Newton (textos depois reunidos no livro História Social do Jazz). Em 1962, em sua segunda visita a Cuba, serviu até de tradutor para Che Guevara.
"Não se podia ensinar nada a ele, seria impossível. Eric já sabia de tudo." Assim resumiu Christopher Morris, orientador de estudos em Cambridge, quando indagado a respeito do jovem Hobsbawm: daí começou a carreira ininterrupta de um historiador instintivamente poliglota e cosmopolita em todas as suas referências e um dos raros representantes de uma geração que teve o privilégio de ser, ao mesmo tempo, testemunha e intérprete dos últimos 90 anos da história mundial.
Nas décadas de 1930/40, quando se formou, a Inglaterra era o único país onde surgiu uma escola de historiadores marxistas. Talvez porque no rol curricular das universidades inglesas a literatura havia tomado o espaço deixado pela filosofia. É que a geração de Hobsbawm - representada por nomes como Christopher Hill, Edward Thompson e Raymond Williams - adentrou a oficina da história através da paixão pela literatura. O extremo rigor da pesquisa também marcou a obra historiográfica desta geração new left, que se formou no auge do clima ideológico de suspeita da Guerra Fria. Certamente, veio da paixão pela literatura o domínio que estes historiadores tinham da escrita e o motivo pelo qual Hobsbawm tenha se tornado um mestre da prosa inglesa: sem teorizações intrincadas e nenhum traço de narcisismo autocomplacente, ele é dono de um estilo claro, conciso, equilibrando - em doses exatas - distanciamento e engajamento crítico.
"Fui um antiespecialista em um mundo de especialistas, um intelectual cujas convicções políticas e obra acadêmica foram dedicadas aos não intelectuais", escreveu em Tempos Interessantes - livro que virou um paradigma de como deveriam ser escritas todas as autobiografias. Apesar do seu precoce - e nunca explicitamente abandonado - engajamento comunista, sempre assumiu um olhar historiográfico desenraizado e pouco afetivo. Definia-se como "um historiador pertencente a minorias atípicas, imigrante na Grã-Bretanha, inglês entre centro-europeus e judeu em toda parte - sentindo-se anômalo até entre os comunistas", reconhecendo-se apenas na frase definidora que E. M. Forster utilizava para definir um poeta: "Ele ficava num ângulo ligeiramente oblíquo em relação ao universo".
O que também o tornou um pesquisador suscetível a uma versatilidade incomum. Das rebeldias primitivas ao banditismo social, das rebeliões de trabalhadores pobres ao significado do feriado do 1.º de maio, da máfia aos luddistas e às tradições inventadas -, Hobsbawm escreveu sobre os mais diversos temas, revelando domínio dos fatos e surpreendentes interpretações. Sua panorâmica história do "triunfo e transformação do capitalismo", que começa com a dupla revolução - a Primeira Revolução Industrial inglesa e a Revolução Francesa - e termina com a queda dos regimes comunistas na década de 1990 -, tornou-o mundialmente famoso. Traduzido em centenas de países, estes quatro livros - abrangendo da era das revoluções até o breve século 20 - se tornaram parte da bagagem obrigatória não apenas dos estudantes de humanidades, mas de um público bem mais amplo.
Hobsbawm sempre tinha algo importante a dizer e seus posicionamentos foram sempre críticos. Quando caiu o Muro de Berlim, muitos apressadinhos anunciaram e apegaram-se à desacreditada idéia do "fim da história". Francis Fukuyama retocou a maquiagem de um antigo livro de Alexandre Kojève sobre Hegel e colocou em circulação esse diagnóstico vistoso, mas pouquíssimo convincente - que foi solenemente abandonado depois dos eventos tristemente célebres de setembro de 2001. Hobsbawm chegou a dizer que até acreditava no "fim da história" - mas, num sentido bem diferente: é o fim da história tal como a conhecemos nos últimos 10 mil anos. Isto porque, nos primeiros anos do terceiro milênio, as mudanças estão se acelerando num ritmo estonteante, quase impossível de se acompanhar com os olhos, os conceitos - e até com as próprias palavras - que dispúnhamos para compreender o século 20.
Era sempre difícil para um historiador de formação marxista reconhecer, mas o autor de A Era dos Extremos não acreditava em saltos ou mudanças radicais no capitalismo. Nem por isto deixava de assumir uma posição impiedosamente crítica em relação à história mundial. A globalização trouxe consigo uma dramática acentuação das desigualdades econômicas e sociais, tanto no interior das nações quanto entre elas próprias. Embora a escala real da globalização permaneça modesta, seu impacto político e cultural é desproporcionalmente grande e muito mais sensível para os que menos se beneficiam dela. Por outro lado, nos seus últimos escritos e entrevistas, Hobsbawm deixava bastante claro como estávamos enfrentando os problemas do século 21 com um pífio conjunto de mecanismos políticos, flagrantemente inadequados para resolvê-los. Sua defesa dos valores iluministas era intransigente: acreditava que eles constituíam os únicos alicerces que temos para construir sociedades justas, seja qual for o lugar da Terra e para todos os seres humanos. "Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis", escreveu no ensaio Barbárie: Manual do Usuário.
Ele próprio, apesar de "pássaro migratório", como historiador nunca perdeu seu eixo, que sempre foi o marxismo. Suas convicções políticas incluíam a hostilidade a toda forma de imperialismo, tanto das grandes potências que afirmam "estar fazendo um favor às suas vítimas ao conquistá-las, quanto a do homem branco que pressupõe uma superioridade automática sobre as pessoas cuja pele tem outra cor". Mas seu tom só se elevava quando confrontado com as lúgubres perversidades da era stalinista. O episódio da violenta intervenção soviética na Revolução Húngara em 1956 é um exemplo marcante. Certa vez, quando Arthur Koestler - irritado e em alto estado etílico numa tarde emotiva num bar austríaco - lhe cobrou a ausência de posicionamento, Hobsbawm mostrou-lhe uma carta coletiva na qual havia denunciado as atrocidades.
Mais recentemente, o historiador Tony Judt disse que Hobsbawm era admirável em sua fidelidade ao comunismo, mas alfinetou: "Para fazer algum bem no novo século, devemos começar dizendo a verdade sobre o antigo e um historiador do seu quilate não poderia mais se recusar a encarar o demônio e chamá-lo pelo nome: o stalinismo e todos os seus crimes hediondos". Hobsbawm respondeu que as críticas de Judt eram improcedentes, pois em A Era dos Extremos encarava o problema, criticando-o. Retrucou ainda que condenava "aqueles intelectuais anticomunistas que hoje têm apenas uma bandeira única, a de serem exclusivamente anticomunistas, esquecendo-se completamente das ideias pelas quais lutavam". "Judt deseja apenas que eu diga que estava errado - e não vou satisfazê-lo", finalizou Hobsbawm. A polêmica não rendeu, parando nestas tantas cutiladas curtas, até porque logo depois Judt cairia doente e morreria. É pena. Pois o debate poderia se alongar, ao refletir sobre o imenso abismo ético que se abriu entre os intelectuais europeus do "leste" e os "ocidentais" em função da própria história e da experiência de cada um com o comunismo. Abismo que se mantém até hoje.
Perscrutador incansável do seu século, Hobsbawm deixou uma obra que é aula magistral de história contemporânea. Ele sabia ainda, quando necessário, provocar o leitor com tiradas irônicas. Seu relato dos estertores da democracia alemã, no fim da República de Weimar, é resumido numa única frase: "Estávamos no Titanic, e todos sabiam que ele estava batendo no iceberg". Ao discorrer sobre os movimentos estudantis dos anos 1960, ele chegava a argumentar que "a marca distintiva realmente importante na história da segunda metade do século 20 não é a ideologia nem as ocupações estudantis, e sim o avanço do jeans". E, finalmente, ao refletir sobre o poder em geral, sintetiza-o simplesmente pela megalomania, que ele define como "a doença ocupacional dos países e dos governantes que crêem que seu poder e seu êxito não têm limites".
Um humorista inglês brincou, certa vez, definindo a escola de historiadores marxistas de Hobsbawm como os "cavaleiros da távola redonda em busca do perdido Graal". Com a morte de Hobsbawm desaparece um dos mais brilhantes historiadores de nossa época e talvez o último daquela primeira geração de marxistas, para os quais a Revolução de Outubro - uma espécie de Graal - era referência central no horizonte político. Marca também o desaparecimento de um dos últimos historiadores que colaram de tal forma sua trajetória de vida com a história pública, que elas parecem indistinguíveis. "O sonho da Revolução de Outubro ainda está em algum lugar dentro de mim, assim como um texto apagado no computador lá permanece, à espera dos técnicos que o recuperem dos discos rígidos", confessou Hobsbawm. E em lacônica resposta à tirada humorística, concluiu: "Porque se desistirmos do Graal, desistiremos de nós mesmos".
Ao menos na França, Eric Hobsbawn foi tratado em sua morte como em vida - como um maldito. A história da ruptura entre a intelligentsia francesa e o pensador marxista foi escancarada ao longo dos anos 90, quando da publicação seu mais célebre livro, A Era dos Extremos. Seu trabalho foi reconhecido e ganhou conversão "a todas as línguas oficiais da União Européia, salvo uma", como ele dizia. Ganhou ainda versões "nas línguas dos antigos Estados comunistas da Europa central e oriental", em polonês, em checo, em romeno, esloveno, em albanês. Só então, graças à iniciativa de um editor belga e do jornal Le Monde Diplomatique, a tradução para a língua de Rousseau, enfim, aconteceu.
A melhor explicação para a indiferença talvez tenha sido dada por uma revista americana: "O apego, mesmo distante, à causa revolucionária, Eric Hobsbawn o cultiva certamente como um ponto de orgulho, uma fidelidade orgulhosa, uma reação ao tempo. Mas, na França, e neste momento, é difícil de engolir".
A soberba da intelligentsia francesa imperou nesta segunda-feira. Foi necessário que Pierre Laurent, um intelectual de esquerda, viesse a público para uma homenagem ao autor. "Os progressistas perdem um dos seus. Todos aqueles que se interessam pela história do século 20 perdem um grande espírito, um pensamento-mundo." / ANDREI NETTO, DE PARIS

terça-feira, 11 de setembro de 2012

NÃO À ENERGIA NUCLEAR


Césio 137 13 de setembro de 1987

 A tragédia com o césio-137, em Goiânia, completa 20 anos nesta quinta-feira (13) e muitas vítimas ainda sofrem com doenças provocadas pelo material radioativo e, principalmente, com o preconceito provocado pela falta de informação sobre o caso. 

Segundo Odesson Alves Ferreira, 52 anos, presidente da Associação das Vítimas do césio-137, a maior dificuldade vivida nesses de 20 anos é o reconhecimento dos direitos das pessoas contaminadas. "Precisamos de um centro de referência de estudo para acompanhamento das vítimas."
 

Ferreira, que também foi vítima do acidente, disse que o preconceito vai durar a vida toda. "A sociedade não permite que a gente consiga arrumar trabalho. É a falta de informação que provoca isso. O pior é que o longo tempo de exposição ao preconceito faz com que as vítimas não se reconheçam como pessoas comuns. É um efeito psicológico muito forte."
 

A dona-de-casa Lourdes das Neves, 55 anos, mãe da menina Leide, que morreu com 6 anos, em 1987, disse que procura o isolamento para enfrentar o preconceito (
leia entrevista). "Perdi amigos e tive de recomeçar minha vida do zero. Desde a perda de parte de minha família até conseguir fazer novos amigos." 
 Conflito de estatísticas
Airton Caubit, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), disse que o número exato de vítimas atingidas pelo césio-137 sempre provocou polêmica. "O número nunca bateu e, talvez, nunca vá bater. O que posso dizer é que quatro pessoas morreram em decorrência da contaminação. Esse é o número que sempre foi certo." 

Caubit afirmou que os números do Cnen totalizam 249 pessoas com grau de contaminação. “Destas, 129 precisaram de isolamento. Depois, o número caiu para 120 e é este o indicador final que temos atualmente.”
 

Para Odesson, o número de vítimas atingidas pela contaminação com o césio-137 passa de 1,2 mil pessoas. “Apenas 129 ou 120 pessoas receberão assistência para a vida toda, pois a contaminação foi maior e por isso estão inseridas no grupo 1. Há outro estágio de contaminação, a indireta, que soma mais de 100 vítimas. Este é o grupo 2. O total da soma são pessoas que tiveram problemas com bens, imóveis e problemas financeiros por conta do acidente. Estas estão no grupo 3 e não têm apoio algum.”
 

Segundo dados da Superintendência Leide das Neves (Suleide), os números permanecem conflitantes. “Inicialmente, são 56 pessoas no grupo 1 e outras 46 no grupo 2. Hoje, temos 156 vítimas nesses dois grupos por causa dos descendentes, filhos ou netos das primeiras 102 vítimas. Além delas, atendemos outras 578 pessoas que apresentam algum tipo de sintoma. Elas trabalharam no local do acidente ou são parentes das vítimas do grupo 1. No total, temos registros de 734 pessoas assistidas.”
 
 Tratamento
Por lei, 120 vítimas que tiveram contato direto com o césio-137 deveriam ter assistência médica integral até a terceira geração. Esse apoio é responsabilidade da Suleide, mantida pelo governo do estado. 

Em agosto, vítimas do acidente enfrentaram problemas para conseguir medicamentos para o tratamento. Segundo o superintendente interino José Ferreira, 49 anos, o problema foi solucionado no começo de setembro. “A medicação para esse caso muda de uma semana para outra. Os valores são pequenos, mas a dificuldade é que são vários tipos de remédios, o que dificulta a negociação com fornecedores. Felizmente, fechamos um convênio com redes de farmácias para equacionar o problema.”
 

Ferreira disse que a medida é temporária, pois o ideal seria que a superintendência tivesse recursos próprios para a compra dos remédios. “É essa a situação que precisa ser resolvida. Isso daria mais agilidade ao tratamento das pessoas.”
 

"Vamos fazer uma caminhada com velas acesas no local principal da contaminação. Além disso, queremos fechar uma agenda para o ano de 2008. A falta de atendimento às vítimas ainda é um problema e queremos buscar apoio do Ministério da Saúde e do governo do estado", disse Odesson.



Bomba de Hiroshima a 6 de agosto de 1945



Chernobyl




Fukushima

Protestos contra energia nuclear

NÃO DEIXE DE LER...

RELATO DA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE SANEAMENTO 04-09-2012 – Conselho Comunitário do Rio Tavares

http://gertschinkediscuteosaneamento.blogspot.com.br/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

RELATÓRIO DO MENSALÃO DO MINISTRO BARBOSA.


É SIMPLESMENTE MAGNÂNIMO!!! IRREFUTÁVEL!!!  CRISTALINO!!!
DOCUMENTO PARA LER E GUARDAR PARA NUNCA MAIS ESQUECER.
RELATÓRIO DO MENSALÃO DO MINISTRO BARBOSA.

O Procurador-Geral   da   República   narrou,   na   denúncia,   “sofisticada   organização   criminosa,   dividida   em   setores   de   atuação,   que   se  estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de  fraude ” (fls. 5621). 
Segundo a acusação, “todos os graves delitos que serão imputados aos denunciados ao longo da presente peça têm início com a vitória eleitoral de 2002 do Partido dos Trabalhadores no plano nacional e tiveram por objetivo principal, no que concerne ao núcleo integrado por JOSÉ DIRCEU, DELÚBIO SOARES, SÍLVIO PEREIRA e JOSÉ GENOÍNO, garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros Partidos Políticos e do financiamento futuro e pretérito (pagamento de dívidas) das suas próprias campanhas eleitorais. (...) Nesse ponto, e com objetivo unicamente patrimonial, o até então obscuro empresário MARCOS VALÉRIO aproxima-se   do   núcleo   central   da   organização   criminosa   (JOSÉ   DIRCEU, DELÚBIO SOARES, SÍLVIO PEREIRA e JOSÉ GENOÍNO) para oferecer os  préstimos da sua própria quadrilha (RAMON HOLLERBACH, CRISTIANO DE  MELLO  PAZ,   ROGÉRIO  TOLENTINO,   SIMONE  VASCONCELOS  e GEIZA DIAS DOS SANTOS) em troca de vantagens patrimoniais no Governo   Federal” (5621/5622). 
 Além disso,   teria   sido   necessário   contar   com   os   réus   KÁTIA  ...                     

sábado, 28 de julho de 2012

PÉROLAS DA AUDIÊNCIA PÚBLICA DA HANTEI/FATMA SOBRE O EIA/RIMA DO EMPREENDIMENTO PONTA DO CORAL, NO CLUBE NOVO HORIZONTE, EM 25.07.12



RECEPÇÃO MAJESTOSA COM OSTENSIVA SEGURANÇA

Fixado na grade na entrada do prédio, um banner contendo a logo do empreendimento anunciado a AP ‘em nome da FATMA’. PODE? Seguindo o caminho, uma enorme tenda montada antes do prédio, com mesas de recepção, listas de presença e enorme telão, vigiados por vários ‘seguranças’ – os ‘home de preto’. Mesas com quitutes e muitas muitas garrafas térmicas. Hum, coquetel à vista.

BREVE DESCRIÇÃO DA CENA DO TEATRO

No salão lotado já hora antes, uma horda de ‘fiéis seguidores’ da HANTEI, desde a mais fiel choque-claque do jornaluxo Ilha Capital, até empregados da empresa, clientes, funcionários de empreiteiras contratadas em suas obras, além de incontáveis puxa-sacos de todos os cantos da cidade. Até 'preocupados' do continente.

Gente contra a HANTEI: uma dúzia de gatos pingados, bem menos que no ato de protesto realizado na Ponta do Coral em 23.03.12. O frio espantou nossos aliados? Seria a precária divulgação da AP? Seria o temor de enfrentar os bruta montes da choque-claque da HANTEI ? Balanço das forças: 5 para a HANTEI, 1 para nós, na melhor das hipóteses. Lamentos a parte, está na média de costume.

Regimento da AP armado em comum acordo entre a FATMA e a empresa, visando favorecê-la, no qual a RÉPLICA de 2 minutos virou, segundo a interpretação dos jurisconsultos, tempo de resposta para a empresa, ao invés de tempo para quem fala depois da resposta da mesma – uma inusitada ‘inovação’ epistemológica e conceitual do termo réplica. Murilo Flores é forte candidato para cadeira na Academia Catarinense de Letras, juntamente com o advogado da empresa e o diretor de licenciamento da FATMA. Componentes da mesa, este garboso trio além do ‘dono maior’ da empresa e o apresentador da consultoria que fez o EIA/RIMA para ‘tentar justificar’ o projeto.

A DINÂMICA DO EVENTO EM TOM DE FOLCLORE

Candidatos a vereador se apresentando ao público como tal. Certamente perderam mais votos que ganharam. Ficou visível que lhes faltou alguma ‘assessoria política’. Se ficassem quietos, talvez...
Casal de idosos, sentado ao meu lado, auto-proclamado ‘manezinho da ilha’, defenestrando em altos brados um professor que leciona para seu neto na escola do bairro local, dizendo que o tirará da escola porque o professor é contra o projeto. Uma tristeza só... Dá o que pensar. Perplexidade !!

Uma hora de apresentação do projeto por parte da empresa, somente propaganda, e da empresa que elaborou o EIA-RIMA, três vezes mais tempo de pura propaganda ‘recheada’ com vocabulário técnico, porém adaptada para propiciar “fácil entendimento” por parte do ‘público leigo’. Ganhará um prêmio ambiental da FIESC pela performance, pois conseguiu apresentar seu ‘produto’ exatamente no tempo determinado pelo programa: 45 minutos cravados. APLAUDIDÍSSIMO por ambos os feitos.

Várias mesas cheias de quitutes, refrigerantes e cafés, possível gesto de ‘simbólico agradinho’ aos convidados da HANTEI. Devastadas pelos ‘famintos’, delas não sobrou nada comível em cima.

Divo Tirloni, da ACIF, ‘dando aula’ de desenvolvimento sustentável, invocando o padre Wilson Groh e outros eco-filantropos, além de explicar o tripé desse conceito ‘complexo’, segundo ele: social, econômico e ambiental, ‘totalmente desconhecido’ para nós ecologistas... Candidato ao título de ‘porta-voz’ do ambientalismo catarinense. APLAUDIDÍSSIMO pela choque-claque e que arrancou insuspeitos suspiros por parte de alguns ‘ambientalistas meio confusos’ presentes no eco-evento. Pode render casamento...

Pescadores artesanais comprados mediante um “termo de concordância de realocação” feito pela HANTEI com os ‘posseiros’ dos barracos de pesca naquele istmo, vociferando impropérios impronunciáveis e impublicáveis a todo santo que se opunha ao projeto, quando não chamado ostensivamente ‘para o pau’, no velho estilo mui macho ‘vem aqui se é homem’ !!! Criaram vários ‘rolos’ ao longo da AP com suas ‘delicadas’ provocações aos ‘arquiinimigos da pesca artesanal’ e de todos aqueles que 'trabalham'.

O melhor defensor da HANTEI não foi de nem longe o empresário ou o apresentador do EIA/RIMA, mas sim o advogado da empresa, que, se valendo dos 2 minutos a ‘título de réplica’, conforme disposição regimental ‘petrificada’ pela FATMA logo no início dos trabalhos, via de regra desmontava os argumentos contrários ao empreendimento, seguida por uma estrondosa ovação. Foi o ‘herói da HANTEI’ que indubitavelmente roubou a cena. Certamente deverá ganhar mais, além de conquistar novos clientes para sua banca. É o único que, com toda certeza, saiu do evento ‘no lucro’. Ganha sempre: antes, durante e depois do projeto.

NOVES FORA DESTA E DE OUTRAS PATIFARIAS

Em suma, um circo, como todos os demais, não para debater EIA/RIMA, mas para consolidar uma chancela ao empreendimento por parte da ‘opinião pública’, reiteradamente lembrada como sendo a favor do projeto na proporção de 84%, com base em pesquisas encomendadas pela própria empresa. REPRISE, PORÉM EM DIMENSÃO MENOR, DA AUDIÊNCIA DA OSX EM JURERÊ. Porém lá, em equilíbrio de forças.

Na linha de “audiência não é anuência”, a forma como a FATMA orquestra esses eventos tem que ser totalmente modificada em sua metodologia com vistas a efetivar o seu objetivo. Como está, é mera propaganda do projeto. Em função disso, o melhor seria propor um projeto de lei estadual que ‘regulamentasse’ as APs para discussão de EIA/RIMA, que, entre outras medidas, daria o mesmo tempo que a empresa dispõem, para uma equipe de especialistas independentes, assim como tempo de apresentação das propostas alternativas ao projeto por parte de entidades ecológicas e comunitárias presentes na região de influência, que o excluem por completo, como é o caso da criação do Parque Cultural das Três Pontas. Constatação óbvia é que, infelizmente, não há deputados à altura dessa tarefa em SC – ‘PEITAR’ O CAPITAL IIMOBILIÁRIO ESPECULATIVO. Na eterna 'dependência' de aportes para campanha..

A ‘maquiagem verde’ ganha contornos mais sofisticados não somente mediante a apresentação de projetos dessa ‘natureza’, como também por parte dos discursos que partem de lideranças empresariais, consolidando o processo de cooptação de linguagem, esvaziamento do discurso e banalização das propostas do movimento ecológico. O projeto ‘é vendido’ como uma ‘solução sócio-ambiental’, não como agressão ecológica, cultural e social que é de fato. Em meio ao mar de ignorância, despolitização e imobilismo reinante, é um instrumento de enorme eficiência cultural anti-ecológica. Quase 'imbatível'.

Em época de total patrolagem desenvolvimentista, colocar-se contra o interesse do capital é cometer ‘pecado capital’, e o interesse privado ganha sempre diante do interesse público, sendo este tomado como justificativa ao projeto, ao invés do ganho privado da empresa imobiliária, em total inversão de atores e valores. Evidencia que o neo-liberalismo reina como nunca nos dias atuais em nosso país. Era 'lula-dilma'.

Salvo raras exceções, os órgãos públicos ligados à defesa ambiental se apresentando em postura totalmente omissa, subserviente e incompetente para dar conta das questões mais elementares do ponto de vista da defesa do interesse público, sequer capazes de impor seus pareceres e opiniões numa AP que debate o mérito do projeto e suas possíveis conseqüências. Em todos os sentidos, LAMENTÁVEL !!! 

Sob esse prisma, noves fora: “governantes de merda, elite de bosta, e vice-versa”.

Em ilha da magia, julho de 2012, Gert Schinkehttps://mail.google.com/mail/u/0/images/cleardot.gif