‘Não está morto quem peleia’ foi a tônica subliminar para
a velha guarda do movimento ecológico, em especial a que integra a AGAPAN,
primeira entidade ecológica do Brasil, que se reuniu festiva e emocionadamente
naquela noite, assistindo a um documentário produzido pela TVCOM em memória aos
20 anos do protesto, ocorrido em 2008.
O vídeo de 25 minutos foi seguido por um interessante debate sobre as conseqüências daquela epopeia, assim como as manifestações recentes, pois teve à mesa, Juliana Costa, uma representante do grupo de jovens que acampou nas imediações da usina, em junho, para impedir a derrubada de dezenas de árvores para efeito de ampliação de uma avenida, na trilha da cultura impositiva de ‘das auto’ sobre qualquer obstáculo que possa lhe atrapalhar o ‘nobre caminho’.

O vídeo de 25 minutos foi seguido por um interessante debate sobre as conseqüências daquela epopeia, assim como as manifestações recentes, pois teve à mesa, Juliana Costa, uma representante do grupo de jovens que acampou nas imediações da usina, em junho, para impedir a derrubada de dezenas de árvores para efeito de ampliação de uma avenida, na trilha da cultura impositiva de ‘das auto’ sobre qualquer obstáculo que possa lhe atrapalhar o ‘nobre caminho’.

Juliana Costa e Gert Schinke
A conseqüência mais festejada por todos é a de que aquela
heroica ação/protesto significou a garantia de sobrevivência do Parque
Marinha do Brasil, o equivalente ao Central Park de Nova Iorque, fato que
dispensa maiores comentários e sobre o incalculável valor que esta área
significa para Porto Alegre e toda a região metropolitana, pois a ela também
acodem milhares de pessoas nos finais de semana provindas das regiões vizinhas
à capital.
Lembrado como o ‘mentor intelectual’ da ação/protesto de 1988, senti-me extremamente lisonjeado, sendo aquele um momento de grande emoção para mim.
A par de ter tido a ideia, fui um dos que arregaçou as mangas para arranjar os apetrechos e organizar de forma secreta o ‘comando ecológico’, grupo que tomaria a chaminé e levaria a informação à mídia.
Nosso propósito, plenamente alcançado naquele dia, mediante um gigantesco e inesperado congestionamento na cidade, foi o de chamar a atenção do povo para a votação de uma ‘emenda de zoneamento urbano’ que justo naquele dia ocorreria na Câmara de Vereadores, com vistas a implantar um mega-projeto imobiliário ao estilo Doha, na orla do Rio Guaíba, eliminando o parque urbano que era previsto para a área. Vale lembrar que a mídia radiofônica foi decisiva para levar em tempo real, as informações da base da chaminé para a população, que via de regra, é alijada desse tipo de debate, conseguindo assim, a repercussão midiática necessária para que nossa ação tivesse sucesso político.
Lugar comum entre a ação de 25 anos atrás e o acampamento em defesa das árvores na base da usina, foi a semelhança do tratamento dado pela polícia, como relatado por Juliana Costa do Ocupa Árvore.
Lembrado como o ‘mentor intelectual’ da ação/protesto de 1988, senti-me extremamente lisonjeado, sendo aquele um momento de grande emoção para mim.
A par de ter tido a ideia, fui um dos que arregaçou as mangas para arranjar os apetrechos e organizar de forma secreta o ‘comando ecológico’, grupo que tomaria a chaminé e levaria a informação à mídia.
Nosso propósito, plenamente alcançado naquele dia, mediante um gigantesco e inesperado congestionamento na cidade, foi o de chamar a atenção do povo para a votação de uma ‘emenda de zoneamento urbano’ que justo naquele dia ocorreria na Câmara de Vereadores, com vistas a implantar um mega-projeto imobiliário ao estilo Doha, na orla do Rio Guaíba, eliminando o parque urbano que era previsto para a área. Vale lembrar que a mídia radiofônica foi decisiva para levar em tempo real, as informações da base da chaminé para a população, que via de regra, é alijada desse tipo de debate, conseguindo assim, a repercussão midiática necessária para que nossa ação tivesse sucesso político.
1988- Sem celular, smartphone ou afins, a comunicação entre os manifestantes do topo da chaminé e o pessoal da mídia lá embaixo, era feita através do "interpote"- potes plásticos de maionese contendo bilhetes, que quando atirados lá para baixo eram disputados pelo pessoal das rádios.
Lugar comum entre a ação de 25 anos atrás e o acampamento em defesa das árvores na base da usina, foi a semelhança do tratamento dado pela polícia, como relatado por Juliana Costa do Ocupa Árvore.
Não é ‘bárbara’ essa mutação política? Alguém da platéia também lembrou uma ‘notável coincidência’ no fato de Alceu Collares, então prefeito de Porto Alegre em 1988, e o atual José Fortunati, serem ambos do PDT que, a par do extremo desenvolvimentismo semelhante ao do PT, tem como característica comum o uso da força policial com brutalidade para debelar protestos de ações dos movimentos sociais que ‘atrapalham’ seus projetos.
Em 1988 os ‘capangas de Collares’ (como era chamada a ‘guarda pretoriana’ que o acompanhava diuturnamente) não só agrediram brutalmente nós manifestantes, como também os jornalistas e a todos que se atravessavam em seu caminho, fazendo do pátio da Câmara de Vereadores na tarde do dia 17.08.88 um palco de escaramuças digno de um bangue-bangue, reprisando as refregas mano a mano entre chimangos e maragatos da revolução gaúcha. Os métodos das elites apenas se repetem, para sarcasmo da história...
O debate que se seguiu aos depoimentos girou, dentre
outras coisas, sobre a nossa 'democracia de fachada', falsa por todos os
aspectos, onde só leva vantagem aquele que se subordina aos mandos do capital e
dos interesses dos políticos que estão no poder, mostrando que, ao invés de a
polícia proteger TODOS os cidadãos, ainda que protestem democrática e
pacificamente, ela tem lado sim - O DOS PODEROSOS, e não o do povo. Esse
cenário ficou evidente em todas as manifestações de junho/julho. Também ficou
claro que a repressão se abate com redobrada força sobre aquelas manifestações
que colidem frontalmente com os interesses econômicos das elites, em
contraposição àquelas que tratam de direitos humanos e de minorias, como os dos
movimentos GLTB e em ‘defesa dos animais’, ‘marcha das vadias’ ou ‘marcha da
maconha’, que recebem notável ‘tratamento diferenciado’ por parte das polícias, "mais humano" por assim dizer, quando não até mesmo ostensiva ajuda, o que deveria ser
para todos, por pressuposto. MAS TUDO MUDA QUANDO O PROTESTO CONFLITUA COM
O CAPITAL !!!
Revendo velhos companheiros de luta ecológica e amigos, além de gente nova no pedaço, aproveitei para lançar a proposta do "Movimento de Refundação Ecológica", algo que se tornou imprescindível diante da agenda e cenário políticos, procurando separar aqueles grupos seriamente engajados na luta ecológica transformadora daqueles que praticam mera maquiagem verde, em franca colaboração com o sistema ecopredatório. Também a ocasião, foi propícia para divulgar meu livro ECOPLAMENTO, onde faço a defesa detalhada do 'movimento de refundação ecológica', conseqüência lógica da minha teoria e detalhado ao final do livro.
Revendo velhos companheiros de luta ecológica e amigos, além de gente nova no pedaço, aproveitei para lançar a proposta do "Movimento de Refundação Ecológica", algo que se tornou imprescindível diante da agenda e cenário políticos, procurando separar aqueles grupos seriamente engajados na luta ecológica transformadora daqueles que praticam mera maquiagem verde, em franca colaboração com o sistema ecopredatório. Também a ocasião, foi propícia para divulgar meu livro ECOPLAMENTO, onde faço a defesa detalhada do 'movimento de refundação ecológica', conseqüência lógica da minha teoria e detalhado ao final do livro.